Uma apaixonante e esplendorosa terra, um magnífico povo! Será brilhante seu futuro, construído por todos os que têm Angola no coração, que nela ou na diáspora trabalham e com amor criam suas famílias.

Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2021
"DESDE ANTES DA SUA CRIAÇÃO PELOS PORTUGUESES ATÉ AO ÊXODO DESTES POR NOSSA CRIAÇÃO"

 


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por aqui passaram os exploradores...

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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2021
Tomás Lima Coelho - as raízes do coração...

 


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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021
Lembra-te Angola - nova série

 


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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
angolanos na exposição colonial de 1934

Organizada pelo inefável Henrique Galvão e custeada pelos produtores de vinho de má qualidade escoado nas colónias, realizou-se na cidade do Porto, entre Junho e Outubro de 1934. Passaram pelo recinto do Palácio de Cristal cerca de um milhão e meio de pessoas. O ministro das colónias, Armindo Monteiro, anunciara os objectivos principais da exposição: deveria promover a imagem de Portugal como potência colonizadora, no contexto internacional da época, bem como afirmar uma orientação e um programa de organização e fixação de colonos. A exposição transformou-se na «primeira lição de colonialismo dada ao povo português» (H. Galvão). Centenas de “indígenas” provenientes das várias colónias foram expostos aos visitantes, em simulacros de aldeias.9 ideias de Exposições Coloniais | exposições, colonial, exposição

Segundo Oliveira Pinto (in História de Angola, pág 666), em cenários compostos por réplicas de quimbos, estiveram expostos o Soba Calungeia e sua filha Sagala, do Bié, e o Soba do Quipungo, Cangangue Muenegundo, sua filha Maria Nangombe (retratada pelo pintor E. Malta).


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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2021
Maravilha, com 830 páginas

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Domingo, 10 de Janeiro de 2021
Ora bem...

... continuemos a desbravar a história do interior de Angola.

1. Os primeiros três missionários - espiritanos franceses - chegaram a Angola em 14 de março de 1866. A imprensa e o parlamento portugueses logo levantaram grande "borborinho". Nas palavras de António Brásio (*) "Os primeiros cimentaram o edifício e regaram a sementeira com o sacrifício da própria vida, com o próprio sangue."

seminario santarem.jpgfoto de https://espiritanos.pt/portugal/historia

2. O Padre espiritano Carlos Duparquet, que tinha sido nomeado pároco de Capangombe (Moçâmedes) em 1866, tendo rapidamente percebido no local a necessidade de missionários portugueses para a evangelização em Angola, fundou em 1867 um seminário em Santarém (na foto) destinado a formá-los. Os objetivos últimos dos missionários eram a pacificação, a civilização e a cristianização dos povos africanos. Entre os admitidos no então designado "Seminário do Congo", estava José Maria Antunes, natural daquela cidade portuguesa, que viria a ser o fundador das missões no sul de Angola.

3. O plano estratégico que o Padre Antunes gizou em dezembro de 1894, apresentava o objetivo da criação de uma rede de 20 missões, como forma de concretizar a ocupação de um vasto território abrangendo o leste de Angola. As missões distariam cerca de vinte léguas umas das outras. O financiamento da instalação dessa rede repartir-se-ia entre o Estado português e a Companhia de Moçâmedes. A expansão da rede far-se-ia pela irradiação a partir de quatro polos, a saber: Lândana, Malanje, Caconda e Huíla. Desta última, a Missão "veterana" (fundada em 1881), irradiaram as missões: do Jau, da Quiíta, do Munhino, do Chivinguiro, do Chiulo, dos Gambos, do Sêndi e de Sá da Bandeira (1935).

MCHumbe.PNG(daqui)

4. A implementação do projeto do Padre Antunes foi no entanto prejudicada por especiais dificuldades na dotação de recursos humanos, pois o "pessoal dirigente" (Pe. Keiling) optou por desviá-los para a ocupação do planalto central, visando "barrar a invasão protestante". O papel dos missionários católicos da Congregação do Espírito Santo em Agola foi reconhecido por vários estadistas, entre os quais destacamos Nórton de Matos, que escreveu: "Desde a primeira hora vi o quanto as missões religiosas eram não somente úteis, mas também indispensáveis (...)".

 

(*) in "História e Missiologia", Luanda, 1973


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Sábado, 9 de Janeiro de 2021
do "Panorama Missionário" - 1940

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Brásio, A. (Ed.). (1971). Panorama Missionnaire de l’Angola. In Angola: 1904-1967. Pittsburgh, PA: Duquesne University Press.

https://dsc.duq.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1246&context=angolavol5


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"Missão de S. Bento do Chivinguiro"

"Estando concluida a igreja construida junto da missão de S. Bento do Chivinguiro, no Vicariato Geral da Chela, e destinada ao serviço religioso da mesma missão; e atendendo ao que me representou o muito reverendo Vigário Geral interino da Chela e Superior das Missões do Real Padroado no distrito da Huíla, o qual, desejando ver aberta ao culto a nova igreja, pediu a necessária autorização para a benção e informou que ela está concluida com os requesitos canonicamente exigidos:
Hei por bem, na conformidade das leis canónicas, conceder ao mesmo muito reverendo Vigário Geral interino, Benedicto Maria Bonnefoux, a licença solicitada para proceder à referida benção, segundo o que esta prescrito no Ritual de Paulo V.

Luanda e Paço Episcopal, 3 de Março de 1905.

C ó n e g o  M a n u e l  A l v e s  d a  C u n h a
Vigário Capitular"

 

Brásio, A. (Ed.). (1971). Bénédiction de l’Eglise du Chevinguiro. In Angola: 1904-1967. Pittsburgh, PA: Duquesne University Press

https://dsc.duq.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1016&context=angolavol5


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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2021
movimentos “reivindicativos” no Lubango antigo

No Lubango do Século XIX, várias "ações reivindicativas" ocorreram (*), motivadas por curiosas causas:

1. No final de 1886, um abaixo-assinado com 97 assinaturas, dirigido ao Bispo da Diocese, pedindo o destacamento para o Lubango de um padre de Quilengues, de seu nome Mariano Nicolau Tavares, natural do "Estado Português da Índia". Pretendiam os requerentes que assim se resolvesse o problema de não entenderem a linguagem dos reverendos da Missão Católica da Huíla, estrangeiros...

2. Em 1889, um novo requerimento de 155 colonos pedindo novo pároco, no entanto logo contestado por 248 assinaturas, em papel-selado. O contexto da época era marcado pelo anti-clericalismo, o que provocava a sucessiva substituição dos padres colocados no Lubango.

 

(*) citadas por A. Brásio, in "História e Missiologia", Luanda, 1973


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ainda sobre o silenciamento

"Identificamos um sistema de significado, dominante, no qual, durante décadas, violência da Guerra Colonial foi ostensivamente apagada, silenciada e empurrada para o esquecimento.

Este sistema de significado é aquele que se concerta com as representações míticas sobre a identidade portuguesa, nomeadamente a ideia, ainda vigente, de Portugal como uma potência colonial não violenta ou como um país de brandos costumes."

"(...) centramo-nos no contexto português para analisar a persistência de uma construção colonial nos próprios mecanismos que fazem da violência colonial algo suficientemente longínquo ou insignificante para que se trivialize ou denegue."

Paradoxalmente (ou não), "O silenciamento da Guerra Colonial portuguesa (1961-1974) constitui um dos elementos mais estruturantes da reconstrução democrática e pós-imperial da sociedade portuguesa."

in "A violência colonial no Portugal democrático: memórias, corpos e silenciamentos", de Bruno Sena Martins - CesContexto Nº13 Abril de 2016 Debates / Centro de Estudos Sociais


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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2021
a "expansão pidesca" em Angola...

"Como descreve Dalila Mateus, a Delegação de Angola da PIDE foi formalmente constituída em território angolano em 1954, mas a sua presença foi mais ou menos residual até 1957, altura em que se começou a efetuar transferência de pessoal do corpo da PSP (que até então era quem cumpria as funções de vigilância e controlo) e se cumpriam funções de polícia judiciária no aeroporto e porto de Luanda. A partir de 1961, com a eclosão do conflito armado no território, as medidas de controlo aumentaram com a multiplicação de delegações, subdelegações e postos em vários distritos do território, e com a criação dos Serviços de Centralização e Coordenação de Informações de Angola (SCCIA), que complementava a “pesquisa empírica” da PIDE com a centralização e processamento de informações, estudos, estatísticas e relatórios, encaminhados superiormente. Esta multiplicação institucional, respondendo à situação de conflito emergente, implicou um alargamento substancial da rede de produção de informações (nomeadamente através da rede de informadores) (...)"

Leia mais aqui: http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/AS_206_a02.pdf


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"Angola e as Retóricas Coloniais", de A. Oliveira Pinto

EXCELENTE!

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A Baixa de Cassanje

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de https://livrosultramarguerracolonial.blogspot.com/2020/12/1_22.html?spref=fb&fbclid=IwAR3zvi6ghVPmm5uvRozkrFvCtSPqHpRiCUfHePbRvqgJ1zGe3t5q5G-AQII&m=1



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O que Salazar negou a Angola (2)

"(...) na resposta ao questionário do relator geral do Conselho Ultramarino sobre a revisão da Lei Orgânica do Ultramar, os “observadores” angolanos propuseram uma "organização” autónoma do Estado colonial e um reforço da influência dos colonos na governação de Angola. Mais precisamente, defenderam o princípio da diferenciação administrativa e da especialidade das leis para o Ultramar e, sobretudo, a transferência das funções legislativas e executivas, que até então eram da competência do Ministro do Ultramar, para os órgãos políticos do Estado colonial. Assim, propuseram a constituição dum Conselho de Governo de Angola, presidido pelo Governador Geral e composto pelos Secretários Provinciais, com funções executivas. Ao Conselho de Governo competiria fundamentalmente a definição dos planos gerais da governação, a executar mediante as Secretarias Provinciais, e a elaboração e apresentação de projectos e diplomas aos órgãos legislativos. O Governador Geral ficaria desprovido de competências legislativas e teria como funções essenciais a representação da soberania, a ligação e a articulação da administração colonial com o Ministério do Ultramar, a coordenação geral da administração pelo Conselho de Governo e a superintendência nos serviços nacionais com representação na colónia. Os Secretários Provinciais seriam nomeados pelo Governador Geral e o seu provimento obedeceria aos seguintes princípios: a) dois terços do número total dos Secretários Provinciais seriam obrigatoriamente preenchidos por indivíduos residentes na colónia há mais de cinco anos; b) na escolha das pessoas designadas para o desempenho de tais cargos, deveria procurar dar-se expressão à “multirracialidade” que caracterizava o meio humano de Angola."

"O desempenho das funções legislativas competiria essencialmente à Assembleia Legislativa e à sua Secção Permanente, que seriam criadas em substituição do Conselho Legislativo. A Assembleia Legislativa seria constituída, na totalidade, por vogais eleitos. A representação far-se-ia por distritos que elegeriam dois ou mais vogais consoante a respectiva importância demográfica e económica. Os mandatos teriam a duração de quatro anos e o Presidente, bem como os dois Vice-Presidentes seriam designados por eleição entre os próprios vogais. A iniciativa de apresentação de propostas de diplomas à Assembleia Legislativa competiria aos seus vogais e ao Conselho de Governo. A Secção Permanente funcionaria com as mesmas competências da Assembleia Legislativa durante os seus períodos de inactividade. Esta Secção Permanente, presidida pelo Presidente ou por um dos Vice-Presidentes da Assembleia, seria constituída por dez vogais eleitos entre os da Assembleia Legislativa e dois vogais natos (o Procurador da República e o Director dos Serviços de Fazenda e Contabilidade). Os diplomas aprovados pela Secção Permanente e pelo Conselho de Governo seriam submetidos à ratificação da Assembleia Legislativa. O Governador Geral ficaria obrigado a publicar os diplomas aprovados pela Assembleia Legislativa no prazo de quinze dias a contar da data da apresentação da redacção definitiva. Caso o não fizesse, o diploma baixaria de novo aos órgãos legislativos e se fosse aprovado por uma maioria de dois terços, seria novamente enviado ao Governador Geral, que não poderia recusar segunda vez a sua promulgação."
(...) "Os “observadores” angolanos defenderam ainda a instituição “dum Conselho funcionando como Câmara de reflexão junto dos órgãos legislativos”. Esse Conselho seria constituído por representantes dos interesses espirituais, morais e económicos da colónia, a eleger por sufrágio orgânico e teria como função específica a prestação de pareceres sobre os projectos de diplomas a apreciar pelos órgãos legislativos. Por outras palavras, seria uma espécie de “Câmara Corporativa” da colónia. Defenderam enfim a formação de Juntas Distritais e o reforço dos órgãos municipais, cujas edilidades deveriam ser eleitas. Relativamente ao Estado central, propuseram a ampliação da representação da colónia na Assembleia Nacional até ao nível de um deputado por cada distrito de Angola.

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Deste modo, a proposta angolana apontava para uma clara autonomização do Estado colonial em relação ao governo central e para a subordinação do poder executivo – Governador Geral – ao poder legislativo – Assembleia Legislativa. Esta Assembleia e a sua Secção Permanente seriam controladas pelos colonos, que também disporiam de certa influência no Conselho de Governo, visto que os Secretários Provinciais teriam de ser nomeados na sua maioria entre os habitantes da colónia. Portanto, os colonos não exigiam explicitamente a atribuição do governo próprio à colónia, a sua proposta ia no sentido de obter o controlo do Estado colonial."

(Excertos do texto retirados daqui.)


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O que Salazar negou a Angola (1)

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"(...) pelo menos até meados de outubro de 1962, Salazar não tinha ainda restabelecido completamente seu controlo sobre a situação em Angola. Aliás, o novo Governador Geral, Silvino Silvério Marques, não estava na colónia, pois aguardava na metrópole a realização da reunião do Conselho Ultramarino. Os relatórios da PIDE demonstram a gravidade da situação (...).

"O Ministro do Ultramar acedeu então à participação de três observadores das associações económicas – sem direito de voto – na reunião do Conselho Ultramarino."

"As associações económicas escolheram como seus representantes o Eng. António Garcia Castilho, o Comandante Venâncio Guimarães Sobrinho e o Dr. José Alvares de Carvalho." "António Garcia Castilho denunciou os “efeitos nefastos” da integração económica entre metrópole e colónias, (...) e a exploração dos recursos angolanos pela metrópole. No plano militar, António Garcia Castilho expressou as suas preocupações pela continuação da guerra, afirmando: […] a guerra que sustentamos em Angola já não pode ser ganha apenas por via militar. Ela só pode ser ganha por via militar e por via política, simultaneamente. / A revisão da Lei Orgânica do Ultramar, que neste momento nos ocupa, pode e deve ser uma tentativa poderosa neste caminho e é certamente a última oportunidade concedida ao governo para tentar resolver os nossos problemas ultramarinos, no âmbito da unidade nacional."

"O Presidente da Associação Industrial de Angola deixou também um aviso – que soou como uma ameaça – ao governo: Quero deixar aqui bem claro que por cada passo que o governo dê no caminho da integração nacional, nos moldes que para aí andam a ser preconizados, acelera de anos a independência de Angola, mas de costas viradas para a metrópole." "Neste momento, o sentimento geral em Angola é o de revolta, por os seus problemas continuarem a ser resolvidos no Terreiro do Paço, à mercê de influências que puxam todos os cordelinhos possíveis e cujas razões dificilmente as descortinam e aceitam./ Por ser assim, é que subscrevi um documento em que se pede para Angola a mais ampla autonomia legislativa e executiva, e que lhe terá de ser concedida, para que finalmente sejamos nós, os Homens de Angola, a puxar os nossos próprios cordelinhos."

(Daqui.)


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A "crise do Ensino Superior" (1962)

 "Em fevereiro de 1962, numa carta dirigida a Salazar, o Governador Geral defendeu a constituição de um “governo autónomo” de Angola, no quadro de uma federação entre a Metrópole, Angola e Moçambique. Simultaneamente, o Governo Geral de Angola procurou encetar contactos com um conjunto de pessoas e de grupos representativos de vários sectores da sociedade colonial, nomeadamente as associações económicas. Procurou também atrair personalidades com peso político na área do nacionalismo africano e que naquele momento viviam no exílio por motivos políticos. Essas personalidades estariam de algum modo ligadas ao MPLA, que na altura estava em pleno processo de organização das suas estruturas em Léopoldeville (Kinshasa). O objectivo era trazer esses quadros políticos de volta a Angola para trabalharem em prol da autonomia. A este respeito, não deixa de ser significativo o facto de Adriano Moreira ter mandado libertar Agostinho Neto (detido desde junho de 1960) (...)." No entanto, "a política colonial do salazarismo assentava na subordinação completa do Estado colonial ao Estado central, o que não se coadunava com o modo “independente” de Deslandes governar Angola".

"Em 21 de abril de 1962, o Governador Geral submeteu o projecto de criação dos Centros de Estudos Universitários à aprovação do Conselho Legislativo de Angola, que o aprovou com 20 votos a favor. Com esta aprovação, Deslandes esperava ver a sua decisão legitimada do ponto de vista político, na medida em que o Conselho Legislativo representava, pelo menos teoricamente, a
vontade da população angolana. Assim, o Governador Geral queria colocar o governo central perante um facto consumado. No entanto, Lisboa declarou inconstitucional a criação dos Centros de Estudos Universitários e anulou o diploma do Governo Geral de Angola em 17 de julho de 1962."

"A posição do governo central desautorizou o Governador Geral e o Conselho Legislativo de Angola e chocou determinados sectores da população, em particular os brancos, provocando um “movimento” de protesto contra a metrópole. (...) Angola viveu então dias de grande efervescência política, colocando-se até a hipótese da proclamação independênciaEventualmente, km Venâncio Deslandes teria sido instado a chefiar um movimento de secessão por elementos da Associação dos Naturais de Angola."

"Adriano Moreira, consciente da gravidade da situação em Angola, fez todos os esforços para evitar uma agudização da crise. Desta forma, ultrapassando os entraves que até aí tinham impedido o estabelecimento de Ensino Superior nas colónias, anunciou a criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola e Moçambique em 23 de julho de 1962."

"(...) a 25 de setembro de 1962, Venâncio Deslandes foi exonerado das suas funções." "(...) a PIDE tinha alertado o governo central da existência de condições para uma possível sublevação militar na colónia, apoiada pela generalidade dos brancos e até por alguns sectores da população negra e mestiça."

Fernando Tavares PIMENTA

in História (São Paulo) v.33, n.2, p. 250-272, jul./dez. 2014

 


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Editor e Redator:
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