Uma apaixonante e esplendorosa terra, um magnífico povo! Será brilhante seu futuro, construído por todos os que têm Angola no coração, que nela ou na diáspora trabalham e com amor criam suas famílias.

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
Missões - uma história brumosa

RM2503_851.jpg(foto de Veloso e Castro, 1905)

Há muito que nos impressiona a saga dos missionários, tantos dos quais malogrados, que dedicaram suas vidas na propagação da fé cristã por remotas paragens de Angola. A sua nobre generosidade e o desprendimento material com que se deslocaram para contacto próximo com os habitantes naturais foram postos muitas vezes a serviço de estratégias geopolíticas e respectivos interesses económicos. As suas vidas de privação e trabalho árduo deixaram-nos obras indeléveis, heranças culturais a que a História, na nossa opinião, ainda não terá feito a justiça do devido reconhecimento. Os seus esforços para realizar estudos etnológicos, linguísticos e da psicologia social dos povos alvo da sua missão evangelizadora faziam, é certo, parte imprescindível de uma estratégia de catequização. Mas alvitramos que o seu papel enquanto agentes de interação de culturas e civilizações ainda se encontra na bruma. Supomos que algures, em obscuras prateleiras de arquivos e bibliotecas de congregações religiosas, os testemunhos de suor e sangue de missionários repousem sob o pó dos tempos...

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Mapa retirado da obra "A Colonização Do Sudoeste Angolano", Tese de Doutoramento de José Manuel Azevedo, 2014


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Domingo, 22 de Novembro de 2020
O Ensino em Angola - as "missões laicas" e as escolas rurais

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É bem sabido que as confissões religiosas desempenharam importante papel na história do ensino em Angola, exercido pelas missões católicas e protestantes. Facto menos conhecido foi a criação de missões laicas, no contexto político da I República, que tiveram reduzida aderência e existência fugaz - em Angola estiveram "no terreno" apenas meia dúzia de anos. Designadas de "civilizadoras", referimo-nos a elas como uma curiosidade histórica. O decreto que as instituiu, datado de 22 de novembro de 1913, determinava que cada missão deveria ser constituida por um professor e três auxiliares. Estes, seriam de preferência praticantes de profissões como pedreiro, carpinteiro, serralheiro ou agricultor. Quanto aos professores, eram previamente habilitados num curso que incluia Geografia, Física, Química, princípios de Direito, Botânica, Zoologia, Mineralogia, Geologia, Higiene, Agricultura, noções de Saúde e sanidade tropical, Administração, Zootecnia e noções de Medicina Veterinária. Em 10 de maio de 1919, foram estabelecidas seis missões para Angola, para onde as duas primeiras partiram apenas a 7 de abril de 1920. Destacamos a que se fixou na Omupanda, em instalações que alemães tinham fundado em 1911 (vide https://bimbe.blogs.sapo.pt/missao-de-omupanda-cuanhama-483582 ). Essa missão, designada "Cândido dos Reis", tinha sucursais no Hoque e na Humpata, onde instalou a escola-oficina "Óscar Torres". No entanto, note-se que ao contrário das religiosas, este tipo de missões não tinha especiais capacidades pedagógicas para atrair os "indígenas", verificando-se na prática ser incapaz de disputar às americanas e inglesas alguma influência populacional, pelo que a sua expansão territorial foi modesta. Não obstante terem sido criadas como uma iniciativa de caráter inovador, terão sido porventura uma aventura frustrante para os seus protagonistas. As missões laicas foram sendo instaladas esparsamente, tentando atingir zonas mais interiores da então colónia, como no Moxico e em Menongue (em 1923 e em 1925, respectivamente) até serem declaradas extintas, em 1926. (Quem se interessar pelo assunto, consulte o Centro de Estudos da Universidade Católica, aqui) O novo regime desde então vigente na "metrópole" viria a aproveitar os ex-funcionários das missões laicas, para exercerem nas escolas rurais. Estas, destinavam-se a ministrar um ensino básico (leitura, escrita e contagem), que se complementava com a aprendizagem de atividades de cunho prático. Em 1928 foram atribuidas a Angola vinte dessas escolas, mas em 1937 o modelo no qual tinham sido concebidas também foi abandonado. Em matéria de opções por modelos educativos, em ambos casos foram exemplo de desistências um tanto precoces, nomeadamente antes que as experiências tivessem tido desenvolvimento e tempo para produzir resultados avaliáveis, frustrando as expectativas dos agentes que nelas se envolveram. A história fica, para nossa lição...


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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2020
No esteio das missões...

No final de um dos encontros preparatórios para o nosso casamento na Igreja da Humpata, o Padre Calenga disse-nos que estava com pressa, pois tinha de ir a uma cerimónia do "fico" que se iria realizar numa das localidades das redondezas paroquiais. Percebemos que a Igreja Católica tinha adotado as tradições rituais da cultura nhaneca-humbe, adaptando-as e integrando-as na liturgia cristã, numa estratégia de grande sabedoria, porventura explicativa do sucesso da catequização por aquelas bandas.


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Quinta-feira, 14 de Maio de 2020
encontro sobre o património histórico (2018...)

Cartaz XXVIII Encontro Lubango V56-12


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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019
Origens dos Mucuisses

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ouça aqui a reportagem: https://www.mixcloud.com/rodolfoascenso/mukuisses/



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Sábado, 19 de Janeiro de 2019
marufo, macau e bulunga

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Segundo a nossa “mais-velha” Ulda, natural da Huíla, aqui damos as explicações sobre as bem conhecidas bebidas tradicionais de Angola:

Marufo: é a seiva de palmeira, obtida através de um corte no tronco, onde se insere uma cânula, na época da germinação. É bebida fresca, é doce e não alcoólica. Algum tempo após ter sido colhida fermenta, ficando muito alcoólica…

Macau: obtém-se pondo massambala de molho, com um pouco de milho. Deixa-se grelar, o que demora cerca de dois dias. Depois seca-se ao sol, mexendo sempre. Quando estiver bem seca é moída, até ficar em farinha. Num funil feito de malóis (tiras de casca de árvore) entrançados, cujo interior se reveste de caniços e se preenche com capim, põe-se a farinha. Sobre a mesma vai-se deitando água fervente. O líquido assim filtrado vai-se coando para um recipiente. É colocado em cabaças (tchipopos), para fermentar.

Bulunga (kissângua): faz-se com farinha de milho, bem cozida em água, obtendo-se um líquido de aspeto leitoso. Depois de arrefecer junta-se raiz pisada de tchingalanganga. Põe-se em recipiente em que previamente se tinha colocado um pouco de bulunga restante de outra confecção, com um pouco de açúcar (caso não se disponha de um resto de bulunga, pode fazer-se um fermento alternativo para a substituir – farinha de milho cozida com um pouco de açúcar). Deixa-se ficar no recipiente durante a noite e na manhã seguinte já pode ser consumida. Não é alcoólica, pode dar-se às crianças.


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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019
património Cuanhama

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Uma perspectiva filosófica, de Hamilton António: leia o texto completo aqui.


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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019
o texto literário angolano

"Definir, adjectivar ou destrinçar o conceito do texto literário angolano dos outros textos redigidos também em Angola ou no resto do mundo sobre Angola é uma proposta para uma reflexão dos fazedores da literatura. (...) o texto literário angolano, oral e escrito ficou, também, envolvido com os vários momentos políticos que marcaram a vida do povo angolano, durante séculos, cumprindo a sua missão. Contudo, o autor do texto literário angolano produzido durante a luta de libertação nacional, conseguida a independência, a paz e, finalmente, a liberdade, confrontou-se com o contraditório e ficou preso no tempo tenebroso que, involuntariamente, atravessou. A sua linha de pensamento ficou bloqueada pelos desencantos do conflito armado. As tempestades amainaram, mas o texto literário angolano, acorda lentamente. Convirá, assim, rebuscar ou recuperar o tempo perdido, a fim de o alinhar com os outros textos africanos e não só. Apresentar o percurso histórico do texto literário angolano, continua a ser, assim, uma tarefa que deverá ser retomada. Pois, no país, está sendo desenhada, agora, uma linha de pensamento político que influenciará a inspiração do escritor. Porém, a questão em análise continua. Haverá, por certo, um texto puramente angolano, que não tenha impurezas ou purezas de outras realidades sociais? (...) A resposta estará, certamente, nas várias dimensões do pensamento literário. O texto literário angolano encontra a sua âncora nas ansiedades do povo angolano, facto que faz do seu autor, o forjador da angolanidade. Logo, todo o escritor que se envolva com as aspirações do povo angolano poderá produzir um texto literário angolano. Ficamos, assim, com a ideia empírica de que o nascer em Angola não nos habilita, naturalmente, a ser autor de um texto literário angolano. Para o merecermos, repetimos, será necessário, sermos intérpretes das ansiedades, perplexidades simbólicas e culturais das populações de Angola, facto que nos arrasta para o conhecimento profundo dos seus hábitos, costumes e línguas. Como as ansiedades, aspirações, vontades e desejos, de qualquer povo são iguais ou aproximados entre os povos do mundo, cantar ou chorar em Angola aproximar-nos-á, também, do cantar e chorar em qualquer parte do mundo. Assim, podemos universalizar o texto literário angolano. Porém, a fonte do caminho está nos nossos pés."

(daqui)


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a quissângua, na cultura

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"Enquanto bebida, difere de kimbombo (da região norte) ou ocimbombo (do centro), onjupika ou onjuwa (do planalto), omakau(do sul), ombulunga (do litoral-sul) e ovingundu (hidromel do leste), por carecer de álcool obtido por fermentação. Não se assemelha ao owalende (“kapuka”,“kacipembe”ou “kaporroto”), por não possuir características de aguardente destilada. Ainda sim, distancia-se de malavu (maruvo, maluvu), por não ter origem vegetal. Não tem comparação com o mahiny (dos criadores), por não possuir características orgânicas.
Em suma, mais que bebida e comida, essencialmente de oferta, a kisângwa é, toda ela, uma instituição que no seu consumo implica uma relação de obrigação moral entre o hóspede, que encontra – «ocisanga», e o hospedeiro que oferece – «osangiwa».Chamamos atenção na diferença entre hóspede e visita. Esta última figura é ilegível em umbundu. Ambas diluem-se na designação genérica de «ukombe» (hóspede). Nas circunstâncias da sua origem, o consumo da «kisângwa» é privativo, de índole doméstica e manifesta a boa hospitalidade vinculando a relação entre os implicados.
Depois de acomodação, ainda que seja por pouco tempo, desde que haja boa intenção, ao hóspede se oferecem dois copos, no mínimo, só depois desenvolvem a conversa. O acto de oferta – okupoka -, aparentemente voluntário, é moralmente imperativo, quer para o que entrega (opoka), geralmente a dona de casa ou a filha que lhe representa, como para quem recebe (opokiwa). O exercício passou a elencar o código do direito consuetudinário pois, acto contrário, a parte ofendida pode vulgarizar o caso imediatamente condenável pela opinião pública. Isto é, se o hospede não recebe, ou se o hospedeiro não oferece, considera-se mal procedimento no cômputo social. É contra os princípios da etiqueta, deixando margem de desconsideração e falta de respeito.
Além de mais, a «kisângwa» consome-se em refeições principais familiares, quando fresca ou ao ambiente natural, assim como servida quente em pequeno-almoço. Muito usada em lazer, para inibir a sede ou a fome, de regresso ou antes de partida para uma jornada pesada, podendo servir de água, sumo, refrigerante ou cerveja, para todas as faixas etárias e ambos géneros pois, além de pobre em propriedades energéticas, não embriaga. Ajuda a recuperar o fôlego aos pacientes e convalescentes. As mães utilizam-na em beberões para desmamar os lactentes. Tem sido muito importante para o consumo das gestantes e, além de presente em cerimónias de iniciação, baptizados, óbitos, e matrimónios, lá foram os tempos em que com a batata-doce ou bómbô assado recheava a merenda escolar.
Numa família tradicional rural umbundu, particularmente, pode faltar tudo excepto a «kisângwa» e o fogo perpétuo, sendo esta instituição que iremos abordar na próxima ocasião. No geral, com as variações quer quantitativas, quer qualitativas, toda mulher é perita na confecção deste nutriente produto, bastando a fuba (farinha) de milho para a papa. O sabor e o odor, são de responsabilidade individual tendo em conta as condições, o capricho e as particularidades de cada confeccionante.
O milho, germinante ou não (osongo), pode ser torrado, antes de triturado. Também a própria fuba, pode ser torrada. As preferências variam entre a fuba limpa (da pedra ou de almofariz, sem farelo), de hidromoinho (triturada com o farelo, sem rolão), de moagem a diesel (triturada com farelo e conhecida por “palapala”). No triângulo entre as províncias do Huambo, de Benguela e da Huíla, região de produtores de «mahiny», é possível encontrar a «kisângwa» de fuba de masambala (sorgo) ou masango (painço).
Quando a papa se confecciona com a fuba limpa, a «kisângwa» torna-se bebida. Se a confecção for de fuba misturada com farelo, torna-se comida. Na primeira não há resíduos sólidos. A segunda contém propriedades que permitem o uso da colher, como se de caldo se tratasse. Ainda sim, pode-se enriquecer o fundo com o rolão grosso ou fino, tornando-a mais densa.
A depender do grau de perícia da confeccionante, a quantidade é indeterminante. Normalmente confecciona-se, aos sábados, o suficiente para cobrir a semana. Ferve-se a fuba com a água extraída da lavagem do milho por triturar ou do arroz ambos desfarelados até se achar cozida. A água do farelo de milho em si, também serve para este fim. Sobre a papa fervente mergulha-se o sumo da batata-doce, banana, abacaxi, rabanete, beterraba, goiaba, morango, anis, cana sacarina ou qualquer fruto silvestre.
Além de ricos em nutrientes, qualquer um destes condimentos, isolados ou mistos, em parte ou no seu todo, apenas adicionam-se depois de bem lavados com água natural, triturados com a casca, lançados em água até tingir na totalidade e coados com peneira servem de realce ao sabor e emprestam o precioso odor, tornando o produto muito mais apetitoso. Para efeito são moídos no almofariz ou sobre a pedra-moageira, permitindo que se extraia a quantidade do sumo necessário.
(...)
Depois de preparada, a «kisângwa» é colocada em reservatórios próprios, geralmente em panelas de barro ou cabaças capazes de suportar as quantidades desejadas. Em tempos idos, o moringue e o barril de madeira foram excelentes reservatórios. Vinte e quatro horas depois, mais ou menos, tempo suficiente para roborizar, declara-se pronto ao consumo normal quando os recipientes forem novos ou lavados. Acredita-se que a sua qualidade melhora nestes recipientes, em relação aos metálicos, plásticos ou cristais. No final, o interior dos reservatórios não se lava para precipitar a roborização posterior dispensando as vinte e quatro horas da primeira vez. Até porque, não se aconselha que o produto esgote, por isso, sobre a velha adiciona-se sempre a mais nova cujo processo se conhece por «omisa» - resíduo fermentáceo servindo na melhoria da qualidade.
O certo é que, há duas qualidades distintas que se consomem em Angola. A «quissângua» ou «kissângua»; - a mais conhecida, consumida em todo o país, comerciável e a «kisângwa»; - esta que acabamos de descrever, tradicional endógena, rural e doméstica. Ambas derivadas de «ocisangwa» diferem-se porque aquela, não é exigente bastando água fervida para confeccionar a papa de fuba de milho. Do resto, é o açúcar importado e bastante água natural que se adicionam sempre que for necessário. Para o alojamento de resíduos no seu fundo, tornando-o denso, é utilizada a palapala. Em alguns casos, precipita-se a qualificação do sabor adicionando-lhe alguma porção de soda cáustica ou fermento de pão.

(...) Hoje, vende-se nas ruas das principais cidades, por zungueiras, nos botecos, bares, refeitórios, restaurantes e consome-se com regularidade entre algumas famílias, mais ou menos, urbanas e urbanizadas."

ARMINDO JAIME GOMES

Leia mais aqui


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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019
63 anos

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Exposição Fotográfica


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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2018
Coleção Herpetológica

Publicado pelo Instituto de Investigação Científica Tropical.

Consulte aqui.


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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
reunir o património cultural

Angola vai criar uma equipa técnica que irá proceder ao levantamento e identificação de “objetos culturais” presentes em museus portugueses, número “impossível de quantificar” devido às relações históricas entre os dois países, disse esta segunda-feira fonte oficial angolana.

Em declarações à agência Lusa, Ziva Domingos, diretor nacional dos Museus de Angola, sob tutela do Ministério da Cultura angolano, salientou tratar-se de uma “estratégia” de longo prazo, indicando que o levantamento não será feito só em Portugal, como também na maioria dos países europeus e nas Américas.

“No Ministério da Cultura [angolano] estamos a trabalhar numa estratégia. Estamos a criar uma equipa que terá como principal missão fazer o levantamento e identificação desses objetos, não só em Portugal, mas também no resto da Europa e nas Américas”, sublinhou.

“A partir daí, teremos um inventário muito mais sistematizado e, depois, iremos acionar mecanismos, quer a nível diplomático, quer a nível da cooperação técnica e científica, para ver a possibilidade de recuperar os objetos para Angola”, acrescentou.

Ziva Domingos afirmou desconhecer quantos “objetos culturais” estão em Portugal: “É difícil dizer tendo em conta o passado histórico entre Angola e Portugal”, disse, admitindo tratar-se de um “número grande”. “Mas não o posso dizer de forma taxativa”, ressalvou.

Segundo Ziva Domingos, o Ministério da Cultura angolano vai contactar em breve o congénere português e pensa enviar logo que possível a missão a Portugal para proceder ao levantamento.

“Penso que é o caminho mais certo. Nós, sendo o serviço executivo do Ministério da Cultura, damos tratamento a essa matéria e vamos sugerir à ministra e ao executivo angolano os passos técnicos e científicos que devem começar a ser dados no sentido de começar a fazer esse levantamento. Tudo parte daí, e só depois podemos colocar outras questões”, sublinhou.

Questionado sobre quanto tempo crê que demorará o processo de levantamento e inventariação, o diretor nacional dos Museus de Angola considerou também ser difícil calendarizar.

“Não podemos definir aqui hoje um horizonte temporal. Temos é de começar agora e, depois, veremos quanto tempo poderá demorar”, respondeu, lembrando que Angola conta com uma rede de 15 museus – sete na capital, Luanda, e os restantes oito distribuídos pelas províncias angolanas de Cabinda, Zaire, Huambo, Huíla e Benguela.

Ziva Domingos indicou que grande parte do acervo cultural e histórico angolano disperso por todo o mundo está em Portugal, nomeadamente no Museu Nacional de Etnologia.

(daqui)


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Terça-feira, 2 de Outubro de 2018
História do Huambo

Para os estudiosos da História de Angola, recomendo a visita ao blogue "Ombira y Ongombe".

https://ombiraongombe.wordpress.com


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Atlas de répteis e anfíbios

123 anos depois, répteis e anfíbios de Angola têm um novo atlas

São quase 400 espécies, entre 117 anfíbios e 278 répteis, com as respetivas descrições taxonómicas, distribuição geográfica e contexto ecológico e climático. É o Atlas dos Répteis e Anfíbios de Angola, uma obra de referência, que reúne toda a informação disponível sobre essa fauna e que acaba de ser publicado pela Academia de Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos, sob o título Diversity and Distribution of the Amphibians and Terrestrial Reptiles of Angola. Mais de um século depois da publicação, em 1895, do primeiro Atlas dos Répteis e Anfíbios de Angola, pelo naturalista português José Vicente Barbosa du Bocage, o novo trabalho, da autoria dos biólogos portugueses Mariana Marques e Luís Ceríaco, e dos norte-americanos Aaron Bauer e David Blackburn, elaborado em parceria com o Ministério do Ambiente de Angola, o atlas vai estar também disponível online, para consulta gratuita, e será apresentado em Luanda ainda este mês.

Leia mais aqui



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Mukanda do mais-velho

Tu, mermão, que ontem chegaste a esta nossa terra,

terra dos trisavós dos nossos kotas;

Tu que aportaste a estas praias tens de saber

que somos um povo que caminha -

todos os africanos o são;

Hoje, que já muitos deixaram os kimbos e os bois das avós

e na cidade aprenderam as letras,

participamos de viva voz nas rádios, jornais e TV's,

muita opinião sai profusamente de nossas bocas e teclados.

Nós que damos muito trabalho a este chão vermelho poluído

te dizemos que não vejas Angola só

como um prazer para os teus olhos,

não penses que os caranguejos do Namibe existem

só para deliciar a tua língua.

Que os teus dentes sirvam também para nos ajudares

a construir um País para os kandengues

que um dia falarão de nós com olhos muito luminosos

e calor no coração.


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Domingo, 30 de Setembro de 2018
Gravuras rupestres

A província do Namibe, com 22 estações de pinturas rupestres, é a região do país que congrega o maior aglomerado desse património cultural disse o coordenador do projecto do Tchitunduhulu.

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Benjamim Fernandes fez esta afirmação quando intervinha num fórum regional sobre turismo, que começou hoje, na cidade de Moçâmedes, no âmbito das comemorações do 27 de Setembro, Dia Mundial do Turismo.

Ao apresentar tema “O turismo étnico e cultural”, Benjamin Fernandes lembrou que Tchitunduhulu é uma estação arqueológica de arte rupestre, situada no município do Virei, província do Namibe, onde estão representados diferentes sítios de gravuras, pinturas em cavernas e nas superfícies de rochas.

Essas gravuras, ressaltou, são maioritariamente desenhos geométricos, animais, seres humanos, paisagens e utensílios de trabalho.

Referiu que essas gravuras mostram a cultura pré-histórica, os hábitos e costumes dos antepassados, que habitaram a região.

Segundo o responsável, a arte rupestre de Tchitunduhulu foi executada por povos que viviam da caça e da recolecção de frutos silvestres, os ancestrais dos actuais kuisses.

As pinturas mais recentes, explicou, foram feitas por povos pastores de animais, os antepassados dos mucubais, que habitam a região do Tchitunduhulu.

Informou que o grande desafio do projecto, que coordena, é preservar as pinturas rupestres, feitas há milhões de anos (*) e expostas ao ar livre, sol, vento e chuvas, factores que concorrem para o seu desaparecimento.

Com o andar do tempo, as rochas começam a degradar-se, existe infiltração das águas das chuvas e o fenómeno do desgaste das rochas, bem como a acção do próprio homem, situação que coloca em risco a existência dessas gravuras", frisou.

O fórum conta com a participação de delegados das províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango,  que abordam temas como "Turismo regional", "Conservação dos parques nacionais e áreas de conservação", "Turismo étnico e cultural", "Legislação sobre o visto de turismo nas fronteiras", entre outros assuntos.

A decorrer sob o tema "Turismo e a transformação Digital”, o encontro com duração de um dia está a ser orientado pela ministra do Turismo, Ângela Bragança.

 

(*) Nota da Edição: será há milhares de anos...

 

(in http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/lazer-e-cultura/2018/8/39/Namibe-com-maior-numero-pinturas-rupestres-pais,6c9fe519-14c8-4f0a-89bd-9bf8019a9239.html)

 

Vide post de 24 de abril de 2009: https://bimbe.blogs.sapo.pt/320701.html


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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2018
Bonga - reconhecimento

Ministra da cultura destaca qualidade da obra de Bonga

Leia aqui


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Editor e Redator:
José "Kahango" Frade
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