Uma apaixonante e esplendorosa terra, um magnífico povo! Será brilhante seu futuro, construído por todos os que têm Angola no coração, que nela ou na diáspora trabalham e com amor criam suas famílias.
Terça-feira, 20 de Novembro de 2012
A crónica do Tonspi
Desde aquela altura, ainda me lembro como se fosse hoje, que para levantar o meu próprio dinheiro, verdinhas é claro, da minha própria conta, no meu banco de sempre, precisava, para além de andar no beija mão, de sorriso rasgado, de fila em fila a apanhar carimbo aqui assinatura ali, do passaporte e do bilhete de passagem a justificar a minha saída da Mãe Pátria, decidi que a minha relação com os bancos passaria a ser fugaz e só, mas só, em ultimo caso, em casos de força maior. Portanto, não tenho cartões de nenhuma espécie e só tenho uma conta porque até parecia mal não ter uma. Não tenho nenhuma relação de amor-ódio com a banca entenda-se, uso-a sim mas para outros fins e com outros propósitos. Bom, os fins são um pouco inconfessáveis, mas como quem confessa, ou não merece castigo ou a ser castigado sempre benificia de atenuantes, aqui vai.
 
Eu uso o Banco para o engate, isso mesmo, agora que acabaram as eleições, não há nenhum concurso de Misses para os próximos tempos, a TV está uma  pasmaceira pegada e o trabalho dos “bukis” escasseia, vou para o meu banco logo de manhã bem cedinho ainda antes de abrirem as portas e começo logo ali a lançar o isco.
Há no entanto alguns pormenores a ter em conta para quem quer ser bem sucedido nesta coisa do engate de banco.
A primeira coisa a ter em conta são os trapos… um trapo de boa marca (deixar as etiquetas do tipo Armani cosidas na manga do casaco, pode até ser um bocado bimbo é verdade mas há quem ache o máximo) dá logo outro “look” e outro sainete. Um sapatito de camurça italiana, pé sem meia (evitar sobretudo o uso de meia branca, pode parecer que se caiu de pé de um segundo andar e se tem os pézitos engessados por fractura dos tornozelos), óculos muito escuros também de marca, um relógio vistoso e não poupar, sobretudo não poupar na água de colónia.
Olhar muitas vezes para o relógio vistoso, pôr um ar de enfado, suspirar, abanar a cabeça e ir perguntando ás tipas (as boas claro) como quem está muito apressado coisas do género, mas afinal, alguém me pode dizer a que horas é que isto abre? Logo hoje, isto não vem nada a calhar, tenho tanta coisa para despachar e ainda por cima voo logo à tarde para Joburg… 
Mudar de porta-chave mesmo que se ande a pé. Usar um porta-chaves da BMW, Jaguar, Mercedes ou Porsche garantem no mínimo o voltar de muitas cabeças e facilitam a abordagem. 
Nunca mas mesmo nunca, tentar engatar funcionárias do banco onde temos a nossa conta domiciliada. Por razões óbvias, tendo elas acesso à nossa falta de liquidez permanente, só pode resultar em fracasso garantido. Este pormenor é extensivo ás irmãs de amigos nossos que trabalhem em qualquer dependencia do banco onde temos conta.

Ainda à porta do banco, falar ao telefone em voz bem alta. Referir milhões, iate, Mussulo, Paris surte quase sempre muito bom efeito, mesmo quando quem nos ouve não consegue entender pêva do que estamos a dizer, mesmo que a conversa não faça nenhum sentido. Outras palavras mágicas muito uteis são Cartier, Sonangol, bem como Conselho ou Admnistração, Pestana, Brasil, Ferrari, São Tomé, avião, etc... o léxico é vasto, e com alguma experiencia a coisa até que vai. Atenção que estas dicas só funcionam bem em determinadas agencias bancárias da Capital. Pô-las em prática em qualquer dependencia bancária da periferia pode em ultimo caso funcionar muito mal e ser traumatizante para o engatatão. 
Já dentro do Banco, espalhe charme e boa educação. Evite pedir extratos bancários ao balcão, não vá um olhar menos discreto traí-lo e quando estiver a chegar a sua vez de ser atendido, bata na testa e diga bem alto para que todos o oiçam… ora bolas que me esqueci, tenho reunião de conselho de Admnistração daqui a 15 minutos. Saia bem rápido não sem antes e como quem não quer a coisa ter oferecido os seus préstimos e trocado número de telefone com a boazuda que o antecedia na fila e com quem esteve à conversa.
Não lhe ligue na hora… deixe passar uns dias e aí sim… ataque que o sucesso é garantido. No encontro não se esqueça de mudar de trapos. Se não os tiver peça emprestado a algum amigo. As boazudas dos bancos têm quase todas muito boa memória.
Boa sorte então, porque hoje já fui a 3 dependências e nada… deve ser da chuva que me deu cabo do penteado.

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publicado por zé kahango às 21:57
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