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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
cirurgia cardíaca

Por Especialistas angolanos

 

Hospital Josina Machel

Fotografia: Francisco Bernardo

 

 

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo. Em Angola, os doentes que precisam de uma cirurgia ao coração já são tratados pelos cirurgiões angolanos, no Hospital Josina Machel. 
O Hospital Josina Machel presta, desde Novembro do ano passado, assistência em cardiologia clínica, cateterismo às artérias coronárias e cirurgia cardíaca correctiva, informou o médico Dário Olaio, chefe do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca.
As operações ao coração no Josina Machel beneficiam  doentes, que agora não precisam de ser evacuados para o estrangeiro. O Estado poupou muito dinheiro com o fim das evacuações.   De acordo com informações dos especialistas, cada cirurgia cardiovascular custa, no mínimo, 30 a 50 mil dólares nos hospitais do estrangeiro, para onde os doentes angolanos eram evacuados. A estes valores adicionam-se os custos da viagem e estadia do paciente e acompanhante.
Hoje, muito dinheiro pode ser poupado graças à equipa de cirurgia cardiotoráxica do Hospital Josina Machel, que é constituída por 14 médicos, entre  angolanos, brasileiros, cubanos e vietnamitas.
Há especialistas em cardiologia clínica, cardiologia hemodinâmica (cateterismo), cirurgia cardíaca e anestesia cardiovascular.
Os médicos têm a missão de resolver os problemas das cardiopatias congénitas, as sequelas da febre reumática e a substituição das artérias coronárias obstruídas, por veias das pernas (safenas) ou artérias mamárias.

Tratamento

Dário Olaio explicou que os doentes tratados no Hospital Josina Machel são vistos inicialmente pelos cardiologistas clínicos na consulta externa ou quando se dirigem com queixas ao Banco de Urgência. Posteriormente são internados e submetidos a um estudo preliminar onde é avaliado o estado clínico de cada doente.
Os casos que necessitam de intervenção cirúrgica ou cateterismo são discutidos pela equipa de médicos que decide  a conduta a seguir. Os doentes são preparados para cirurgia ou intervenção hemodinâmica. O serviço recebe também doentes que são encaminhados pela Junta Nacional de Saúde e por médicos de outras instituições hospitalares. 
O responsável do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca do Hospital Josina Machel informou, que as patologias cardiovasculares mais frequentes são as complicações da hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, e a afectação da tuberculose sobre o coração (conhecida como pericardite tuberculosa). As intervenções cirúrgicas   mais frequentes são causadas pela consequência da tuberculose que afecta o tecido que envolve o coração.
As sequelas da febre reumática, doença que tem origem nas anginas, causam dano às válvulas do coração e obrigam à sua troca por próteses.
As cardiopatias congénitas e as doenças obstrutivas das artérias coronárias, às vezes resolvem-se por hemodinâmica, quando se introduz pela artéria femoral um cateter, “um tubo muito estreito que chega até à artéria coronária lesionada e a desobstrui com um balão ou com a colocação de uma pequena rede metálica conhecida como Stent”.

Doenças frequentes

Dário Olaio explicou que a pericardite tuberculosa, a doença valvar reumática (febre reumática) e as cardiopatias congénitas são as causas mais frequentes de necessidade de cirúrgica, no Hospital Josina Machel. O especialista disse que desde Novembro do ano passado foram realizadas 99 operações a 70 pacientes: “às vezes um mesmo paciente necessita de mais de uma operação”.  Do total de operações, 30 foram feitas para tratamento da doença valvular reumática  (febre reumática) e consistiram na troca das válvulas do coração por próteses  e acrescentou que dentro dos sector de hemodinâmica foram realizadas 163 cateterimos e angioplastias com a colocação do Stent).
No Hospital Josina Machel já foram realizadas 1.812 consultas externas de cardiologia, 1.884 electrocardiogramas, 307 ecocardigorafias doppler e 20 provas de esforço,  um exame em que se testa a resposta do coração a um esforço físico.   Dário Olaio disse que durante a semana, o hospital recebe 16 doentes com problemas cardíacos e por mês são feitas 13 intervenções cirúrgicas. Foram internados com problemas do coração 217 pacientes, destes 93 são homens e 124 mulheres, com uma média de idades de 39 anos.

Crianças cardíacas

As doenças do coração não atingem apenas os adultos. Águeda de Cássia tem 8 anos e veio da província Cabinda por ter uma doença que, de acordo com o chefe dos Serviços de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca, se chama endocardite bacteriana. È uma infecção dentro do coração que teve origem na febre reumática.” Esta é uma doença que deriva da amigdalite, que se não é tratada ou é mal curada, produz uma reacção inflamatória que afecta as articulações e produz lesões irreversíveis dentro do coração”, disse o especialista.
No caso da menina Águeda de Cássia, a lesão irreversível da febre reumática causou-lhe uma grave infecção bacteriana (Endocardite).  Águeda está internada há mais de um mês e é uma das candidatas à cirurgia cardíaca.
Dário Olaio disse ser necessário que os pais e familiares tenham consciência de que o problema que a Águeda tem podia ser evitado se tivesse sido feito  um diagnóstico e tratamento correcto da amigdalite (anginas).   

Conselhos médicos

O especialista em cardiologia aconselha que, por exemplo, uma criança que tenha uma doença da garganta deve ser vista pelo médico e fazer um tratamento de antibiótico em sete ou dez dias,  no máximo. “ Se o problema da garganta não for tratado ou for mal tratado vai produzir uma reacção irreversível no coração e essa criança, que podia ter uma vida diferente, vai ter de correr o risco de uma intervenção cirúrgica, como única maneira de lhe salvar a vida. Caso contrário morre a médio prazo”, advertiu. 
Até agora, no  Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca, dos 217 pacientes internados morreram 16. Dez mortes foram de pacientes operados  e seis do foro cardiológico clínico. A hemodinâmica não registou qualquer falecimento.  O médico Dário Olaio salientou que o que piora o prognóstico dos doentes é aparecerem num estado já avançado da doença, e com complicações adicionais. “Apresentam um maior estado de deterioração cardíaca que nem a cardiologia nem a cirurgia resolve e isso tem levado à morte  alguns dos pacientes”.

Doenças congénitas

Em relação às doenças congénitas, onde já foram feitas 14 cirurgias. O especialista esclarece que as doenças congénitas aparecem durante a gravidez e são, muitas das vezes, fruto do tipo de vida que os pais têm, ou pela forma como as mães conduzem a gravidez.
 “ Estas doenças, em muitos casos, podem ser evitadas.  As mães grávidas não devem fumar, consumir drogas, álcool e devem evitar a ingestão de medicamentos desnecessários e sem prescrição médica. “Os medicamentos nas grávidas podem produzir alterações na formação do feto e assim a aparição de doenças congénitas”, alertou Dário Olaio.

Trabalho na comunidade

Este ano, um grupo de médicos especialistas em Cardiologia, Medicina Interna, Endocrinologia e Patologia Clínica (laboratório) acompanhados de técnicos e enfermeiros do Hospital Josina Machel fizeram um trabalho de pesquisa sobre a hipertensão e diabetes, nos bairros, Operário, Samba, Praia do bispo e Cassenda. O objectivo foi determinar o número de pacientes diabéticos e hipertensos nessas comunidades.
Foram vistas 1.100 pessoas nas quais foram detectados 146 doentes  hipertensos e diabéticos.
Os técnicos aconselharam os doentes a seguimento médico hospitalar, baseado em consultas e exames, que  são gratuitos. Apesar desta facilidade há quem não aproveite. “Perdemos os contactos com alguns pacientes, porque os contactos telefónicos não resultam.
Eles devem comparecer no hospital para que possamos inseri-los nas marcações, e começarem então a fazer as suas consultas”, aconselhou o médico.
 
 

(do Jornal de Angola)



publicado por zé kahango às 11:17
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