Uma apaixonante e esplendorosa terra, um magnífico povo! Será brilhante seu futuro, construído por todos os que têm Angola no coração, que nela ou na diáspora trabalham e com amor criam suas famílias.
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
citações de um excelente artigo

Atenção ao tipo de desenvolvimento...

 

 

 

(...)


"O Presidente da República deu o mote quando, há alguns anos, traçou uma meta ambiciosa: recuperar em vinte anos o atraso de Angola em relação à África do Sul e ao Brasil. A comunicação social pública transmite do país uma imagem impressionante de progresso e de felicidade para todo o povo. Analistas vários garantem que as eleições de Setembro representaram uma lição para África e para o mundo. A auto-estima dos angolanos atingiu níveis sem precedentes."

"Nem tudo vai bem no reino angolano"

"Não partilho desse optimismo exacerbado. Reconheço que muito está a melhorar, o que é particularmente evidente quando se olha para as infra-estruturas, com destaque para as estradas pelo efeito quase imediato sobre a vida de todos os cidadãos, um bom exemplo de que os projectos de desenvolvimento, quando bem pensados, podem beneficiar toda a população de forma equilibrada.
Porém, não posso deixar de manifestar as minhas apreensões relativamente ao rumo que o país está a seguir, e entendo que é meu dever alertar para os perigos e desafios que temos pela frente. Esta minha atitude justifica-se mais porque me preocupa a falta de referências críticas ou morais na sociedade em geral e nos media em particular. De acordo com a comunicação social pública, quase tudo vai de vento em popa, praticamente só coisas boas acontecem, nomeadamente quando se fala de realizações do Governo.
Factos como uma greve dos professores ou uma tomada de posição dos jornalistas da Rádio Nacional de Angola a criticar os media públicos pela sua notória parcialidade, acentuadamente agravada no período de eleições, não têm existência ou apenas passam a tê-la quando esses órgãos respondem a alguma «provocação» relacionada com o facto. E aí são obrigados a admitir a sua existência.
A comprovar que nem tudo vai bem neste nosso reino estão aí os exemplos. Não me vou debruçar sobre a pobreza ou a corrupção, assuntos que tenho tratado noutras ocasiões e noutros espaços, mas apenas assinalar algumas questões que afectam a vida normal dos cidadãos e a economia do país."

 

Perguntas


"Como é possível não questionar o facto de uma cidade com cerca de cinco milhões como Luanda não oferecer um serviço organizado de transportes públicos, nem sequer dispor de serviço de táxis como acontece em quase todo o mundo?
Como justificar um investimento colossal e tão mediatizado como foi a compra de moderníssimos aviões e entregá-los à responsabilidade de uma empresa pública que, soube-se logo depois, não tinha condições para geri-los nem utilizá-los, e dava uma péssima imagem do país ao ser interdita de voar para a Europa ou ver altos funcionários seus serem agredidos por passageiros no aeroporto de Joanesburgo por alegado mau serviço e falta de respeito?
Como aceitar que o serviço de venda de combustíveis para viaturas obrigue a tão longas e penosas filas? E que os investimentos em energia ainda não tenham resolvido a falta dela numa cidade como o Lubango ou acabado com o abastecimento irregular a Luanda? Como explicar os problemas das eleições em Luanda e que a inflação de 2008 tenha sido muito superior à estimada? E a água potável?"
 

Pelo desenvolvimento sustentado


"Para além de outras razões que possam estar ligadas à corrupção, que enigmaticamente não é combatida, só posso entender estas anomalias pelo facto de as lideranças angolanas –e não falo só das ligadas ao poder político – possuírem uma visão muito estreita e ultrapassada do que deve ser desenvolvimento.
A confusão entre crescimento económico e desenvolvimento, que universalmente está há muito esclarecida, é penosa nas lideranças angolanas e extremamente penalizante para os angolanos. Boa governação, direitos, sustentabilidade, preservação ambiental são apenas figuras discursivas e não se reflectem nos planos, programas e projectos.
O crescimento de edifícios em altura, a eliminação de praças e jardins para darem lugar a tais edifícios, a desmatação de extensas áreas sem preocupação com a biodiversidade para permitir projectos agrícolas de duvidosa rentabilidade, a falta de atenção devida ao ensino primário e à investigação, a inexistência de programas de reforço de capacidades dirigidos a pequenos e médios empresários, o abandono a que o sector informal da economia é votado são apenas algumas manifestações dessa preocupante falta de visão.
Para corrigi-la, as lideranças apostam no voluntarismo e na adopção, sem qualquer sentido crítico, de «modelos» externos, sejam o agronegócio brasileiro, o kiboutz israelita ou, talvez, a requalificação de cidades chinesa. O resultado não poderá ser bom.
Enquanto no mundo são cada vez mais incentivadas as vias que procuram inovações, como o capitalismo criativo de Bill Gates e de Muhammad Yunus ou a economia solidária dos movimentos sociais, os empresários angolanos apenas pensam no lucro a qualquer preço, e alguns, por sinal ligados ao poder, não hesitam em procurar melhores condições, investindo em vinhos ou azeitonas em Portugal – um indicador, afinal, de que não temos o paraíso que dizemos que temos."
 

(...)

"Em momento de crise financeira internacional, que bom seria se Angola «parasse» um pouco para repensar a sua via de desenvolvimento, sem termos que ser forçados a parar com a folia do despesismo devido ao baixo preço do petróleo. E que melhor seria ainda se tivesse em conta as sábias palavras do primeiro-ministro de Cabo Verde, João Maria Neves, a um jornal angolano: «o nosso petróleo é a boa governação».

 

Leia-se o texto na íntegra aqui

(Artigo de Fernando Pacheco publicado na edição de Janeiro da revista África 21, de onde também se extrai a foto. Título, subtítulos, sublinhados e destaques nossos.)

 



publicado por zé kahango às 10:06
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