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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
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cantor de Luanda

Eleutério Sanches o canto nostálgico
Fonte: Jomo Fortunato/JA - Editado por AD   
ImageLuanda evoca, naturalmente, uma canção. As múltiplas cores da cidade, o hibridismo linguístico das suas gentes, a magia do carnaval, o gingar das bessanganas e toda a poesia que emana do pregão das quitandeiras, fizeram de Eleutério Sanches um compositor que canta a terra luandense, respirando-a, num gesto lírico de singular compasso e intimidade poética.

O veludo da voz, quando fala, e a fulgurância do timbre, quando canta, despertou a professora de canto Ilda Machado da Cruz que logo descobriu, em Eleutério, o barítono-baixo do seu canto. Eleutério ­refere-se com visível saudade ao tempo em que, da professora Ilda, recebia as primeiras lições de vocalizes, exercitação e ­colocação de voz.

Da Luanda de Eleutério ficou a dimensão de um passado irreversível e a magnitude de uma música, cuja génese faz reviver os momentos ímpares de convivialidade rítmica e emocional, pautada numa arte que valia pela sua espontaneidade criativa.

As canções emblemáticas de Eleutério Sanches foram criadas na efervescência do ambiente estudantil do Liceu Salvador Correia e datam deste período: “Canção do ­subúrbio”, “Canção do pescador”, “Muxiluanda”, “Batuque”, “Luanda à Beira-mar”, e “Luanda debruçada sobre o mar”.

No início dos anos cinquenta, Eleutério Sanches foi solista do Orfeão do Liceu Salvador Correia e calcorreava, timidamente, os caminhos da música com a sua falecida irmã Lilly Tchiumba – uma intérprete de excelentes recursos vocais que a história da Música Popular Angolana relembra com orgulho. Os referentes textuais das canções criadas por Eleutério, revelam um criador que retirava das manifestações espontâneas do seu povo o principal motivo de reflexão poética e artística.

Luanda e seus encantos é um tema recorrente nas canções de Eleutério. O cantor eleva a cidade, que aliás o viu nascer, à categoria de obra artística por excelência. Para Eleutério, Luanda não se reduz a um mero espaço físico de itinerância urbana. As canções de Eleutério transformam a cidade numa entidade animada, não só passível de contemplação, como de permanente diálogo.

Eleutério Sanches, em 1953, e durante os primeiros anos da década de cinquenta, actua com o músico e compositor Fernando de Assis – seu companheiro inseparável.

A aparição do Ngola Ritmos, nos anos cinquenta, condicionou o entusiasmo e a apetência de Eleutério por uma música de raiz e de sonoridades rítmicas angolanas.

“Foi de tal maneira marcante o suporte rítmico e a desmontagem de contrapontos estudados e desenvolvidos por Aniceto Vieira Dias (Liceu) que os amantes da música popular e erudita que se lhe seguiram muito mais tarde, bem como os da geração imediatamente ligada como Carlos Sanches, os irmãos Mingas, Tonito e Carlitos Vieira Dias, guardaram essas memórias e motivações como um sagrado sinal de origem”, lê-se numa breve autobiografia de Eleutério.

À morna e à nostalgia do fado juntaram-se os ritmos quentes de uma Luanda musical, com ingredientes de semba e kazucuta.

Eleutério Sanches nasceu em Luanda, em 1953, e participa em vários espectáculos de variedades acompanhado pelo grupo “Estrela Canora” e “Ngola Ritmos” entre 1950 e 1960 na Rádio Clube de Angola, Emissora Oficial de Angola (actual Rádio Nacional de Angola), Cineteatro Nacional, Cinema Tropical, Cinema Restauração, Cinema Miramar, Associação dos Naturais de Angola e Liga Nacional Africana.

No final da década de sessenta realizou uma digressão de trinta espectáculos com o humorista português Raul Solnado, por Angola, e participa, na rádio, em programas de poesia com Manuel Lereno, Maria Leonor, Carmen Dolores e Maria Germana Tânger.

Em Londres actua, em 1969, nos serviços portugueses da BBC e em Moçambique, num recital de poesia em Lourenço Marques (hoje Maputo) e na cidade da Beira, Sociedade de Estudos de Moçambique. Retoma Luanda, em 1972, desta vez para apresentar novas canções no Cineteatro Nacional. A União dos Escritores Angolanos acolheu Eleutério Sanches, em 1984, num recital de música e poesia com Filipe Mukenga, André Mingas, Liceu Vieira Dias e Dionísio Rocha.

Eleutério mantém uma ligação visceral com a música, e trabalha, actualmente, com seu irmão Carlos Sanches, músico e instrumentista do grupo “Parakuka” e tem feito projectos multimédia com artistas de prestígio da África que fala português, visando a transmissão de um legado cultural com forte dimensão humanista e estética.

A música, a pintura, a poesia e o teatro desdobram-se na personalidade artística de Eleutério, confluindo numa unidade dialógica, sem fronteiras.

Ficaram célebres muitos terreiros e quintais dos musseques, do Bairro Operário, da Maianga, da Luanda rural e burguesa... espaços nobres como o Grémio Africano, Anangola, Liga Nacional Africana, Clube Marítimo (na ilha do Muxiluanda), Clube Atlético de Luanda e muitos, muitos outros locais de ensaio e Resistência Cultural, onde a construção dinâmica da plural identidade angolana se foi erguendo.

Este grupo de temas, em tom de serenata, corresponde a uma das opções possíveis numa recolha antológica que decorre das últimas cinco décadas.

Remetemos o leitor-ouvinte aos textos poéticos das canções que editamos, “viajando sons antigos”, trovando massembas da Luanda que vivemos, as memórias e o afecto intemporal que nos uniu”, escreve Eleutério no texto de apresentação do CD “Serenata Luanda”.

A EMI – Valentim de Carvalho editou no mês de Novembro de 2000 um álbum com o título “Serenata Luanda” de Eleutério Sanches e Carlos Sanches.

O CD “Serenata Luanda” retrata, de vários modos estilísticos, o espírito da época em que havia na capital de Angola o culto da convivialidade através da música, normalmente associado à dança, aos ritmos e coreografias tradicionais: Kazucuta, Kipalanga, Rebita, Kabetula, Semba e outros géneros aculturados de ritmos afro-latinos, brasileiros e afro-lusos.

Organizavam-se grandes farras, concursos, espectáculos lúdicos, bailes, despiques e carnavais, incluindo muitas outras formas de diversão entusiastas que destacavam os atributos quentes da beleza africana.

Eleutério Sanches, igualmente conhecido como artista plástico, assim como o seu irmão Carlos Sanches, são os intérpretes e autores da maioria dos temas do CD “Serenata Luanda, nomeadamente: “Canto híbrido”, “Coração do Pescador”, “Canção do Subúrbio”, “Aiué Mussulo”, “Luanda aiué”, “Serenata a Luanda”, “Anda ver a minha terra”, “Saudade de Luanda” ­“Luanda é um cafeco”, “Musseque saudade”, “As belas de Sangandombe”, “Mulata é a noite” e “Luanda”, com a colaboração da cantora angolana Milita, que despontou nos anos sessenta em Luanda, assim como essa senhora inesquecível da canção angolana que se chama Sara Chaves, que, neste CD, interpreta a célebre canção “Mulata é a noite”, um tema que a grande Ana Maria Mascarenhas musicou a partir de um bonito poema do saudoso jornalista Adelino Tavares da Silva.

Resumindo, trata-se de uma selecção de temas, em tom de serenata, que cor­­responde a uma das opções possíveis numa recolha antológica que decorre das últimas cinco décadas, “viajando sons antigos” e “trovando massembas” da Luanda cuja vivência deixou saudades a muita gente, uma nostalgia que as memórias e os afectos, intemporais, continuam a unir.

 


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