Intensa paixão, tristeza profunda, sagrada esperança...
Domingo, 23 de Dezembro de 2012
um Governador pela estrada (?) fora...

Ir do Namibe à Namíbia por estrada não é impossível, mas é preciso passar pelas cidades do Lubango, na província da Huíla, e Ondjiva, no Cunene. Um recuo que resulta numa distância de cerca de 640 quilómetros, e depois mais 45 até ao posto fronteiriço da Santa Clara, para atingir a região de Oshikango, a primeira paragem para lá da fronteira.
(...) para muitos angolanos que vivem no Norte e litoral, viajar de carro até àquele país vizinho pode custar menos tempo e dinheiro, se a ligação for feita a partir do Iona, no município do Tômbwa, passando pelo posto fronteiriço de Calueque, já localizado no Cunene, mas apenas a 13 quilómetros da fronteira. Um percurso que totaliza 374 quilómetros do Namibe à cidade namibiana de Outapi, também conhecida por Ombalantu. Ou seja, menos 310 quilómetros do que a rota habitual.
(...) Para avaliar a situação, o governador Isaac dos Anjos decidiu fazer uma parte do referido percurso, a partir da cidade do Namibe, passando pelas localidades do Curoca, Iona e Espinheira, até atingir o posto de guarda fronteira da Foz do Rio Cunene, numa distância de cerca de 280 quilómetros.
Apesar da distância ser reduzida, foram necessárias muitas horas para chegar ao local, devido ao mau estado da via, que é dominada ora pelos montes de areia que se formam no deserto, ora por inúmeras pedras.
Para muitos, fazer o percurso até à Foz do Cunene é um desafio que só serve para os mais aventureiros. Os avisos sobre os perigos de alcançar a região por estrada vêm de quase todos os lados.
Só é possível chegar lá através de viaturas com suspensão alta e tracção às quatro rodas. Se estiver a chover muito, algumas áreas podem tornar-se intransponíveis, devido aos vários rios existentes ao longo do trajecto e que não têm pontes.

É recomendável transportar mais de um pneu sobresselente, e de preferência todos em boas condições, já que o troço está cheio de pedras afiadas semelhantes a lâminas. Não é possível sequer falar da existência de qualquer recauchutagem na via, nem tão pouco de um posto de abastecimento de combustível, razão pela qual se aconselha igualmente que seja levado gasóleo ou gasolina de reserva. O mesmo pode dizer-se em relação aos bens alimentares e às bebidas, já que também não existe um único estabelecimento comercial ao longo do caminho.
A situação pode ser agravada pelas altas temperaturas que por vezes atingem a região, chegando muitas vezes aos 40 graus. Daí mais um aviso: levar chapéus ou sombrinhas pode ser uma grande vantagem, evitando deste modo queimaduras da pele provocadas pelos raios solares.
Precavidas todas estas situações, que levantam a suspeição e o medo de visitar a Foz do Rio Cunene, a viagem, apesar de demorar mais tempo do que o normal, torna-se, até certo ponto, um prazer, diante dos encantos do Deserto do Namibe e do Parque do Iona, como a raridade da planta Welwitschia Mirabilis, as dunas, as planícies e savanas abertas, as montanhas rochosas com formatos que recordam gigantescas esculturas surrealistas e várias espécies animais, como veados, órixes, zebras e aves diversas.
(...) A reabilitação da Estrada Nacional 295, que liga esta província ao Cunene, está a ser apregoada pelo governador Isaac dos Anjos desde que assumiu as pastas do Namibe e vai certamente abrir novas expectativas no desenvolvimento desta região.
(...)
Isaac dos Anjos mostrou-se, ainda, preocupado com as várias comunidades tradicionais existentes nesta região, com uma cultura muita arraigada, (...): “É preciso fazer alguma coisa para mudar o cenário dos chimbas, dos muimbas, dos mucubais, para que haja desenvolvimento e melhoria das condições de vida”, disse o governador.
Do seu ponto de vista, é necessário compreender as condições em que estas populações vivem e habitam, sem desprezar as suas principais características culturais e ajudá-las a ter uma vida normal e sem muitas dificuldades.
“Testemunhámos aqui no Tômbwa a existência de uma mulher muimba que é funcionária pública, motorista de uma ambulância do posto médico do Iona, e nem por isso perdeu as suas características e protecção culturais”, concluiu o governador .

 

 

in http://jornaldeangola.sapo.ao/25/0/pela_estrada_fora_ate_a_vizinha_namibia



publicado por zé kahango às 01:35
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